Alvenaria
de solo-cimento
Uso
é conhecido há dezenas de anos no país,
mas só agora ganha divulgação
graças a centros de pesquisa e acesso a máquinas
de produção manual de tijolos.
Apesar
de ter custo relativamente mais elevado, o uso do solo-cimento
em blocos intertravados não emprega fôrmas,
facilita a passagem das instalações e tem
execução mais rápida que em paredes
monolíticas do mesmo material
Sistemas
de construção de solo-cimento podem minimizar
danos ambientais, baratear e dar mais agilidade às
obras. A técnica é o resultado da mistura
homogênea de solo, cimento e água em proporções
previamente determinadas, depois compactada na forma de
tijolos, blocos ou paredes monolíticas. Desde que
bem executado, o componente apresenta boa durabilidade
e resistência à compressão.
Empregado
no Brasil inicialmente na confecção de bases
e sub-bases de pavimentos de estradas, o solo-cimento
começou a ser empregado em construções
em 1948, quando residências feitas com paredes monolíticas
foram construídas na Fazenda Inglesa, em Petrópolis
(RJ). Um ano depois, foi construído o famoso Hospital
Adriano Jorge, do Serviço Nacional de Tuberculose,
em Manaus, edifício com 10.800 m² ainda em
funcionamento e em bom estado de conservação.
No
entanto, o solo-cimento só foi amplamente aplicado
em moradias por volta de 1978, quando o antigo BNH aprovou
a técnica para construções de habitações
populares. "Na época, estudos feitos pelo
IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado
de São Paulo) e pelo Ceped (Centro de Pesquisas
e Desenvolvimento) comprovaram que, além do bom
desempenho termoacústico, o solo-cimento aplicado
em construções levava a uma redução
de custos de 20% a 40%, se comparado com a alvenaria tradicional
de tijolos de barro ou cerâmicos", diz Fernando
Teixeira, consultor na área de solo-cimento.
O
engenheiro explica que, naquele momento, predominavam
as construções com paredes monolíticas.
"Recentemente, processos construtivos que envolvem
o uso de blocos modulares com encaixe intertravado estão
tendo muita aceitação", explica Teixeira.
Apesar de mais cara do que a parede monolítica,
a alvenaria de blocos apresenta vantagens como dispensar
o emprego de fôrmas, acelerar a construção
e facilitar a passagem das instalações hidráulica
e elétrica.
Sistemas
monolíticos x modulares
Para o engenheiro Francisco Casanova, professor do programa
de engenharia civil da Coppe (Coordenadoria de Programas
de Pós-Graduação da UFRJ), o tijolo
e a parede monolítica de solo-cimento são
"cartas fora do baralho". "Um dos grandes
problemas da alvenaria de tijolos monolíticos de
solo estabilizado sempre foi a interação
com a argamassa de assentamento", afirma Casanova.
Para o engenheiro, as diferenças entre as propriedades
físicas de ambos os materiais, como o módulo
de elasticidade e coeficientes de dilatação,
acabam por levar à falência de um deles.
A
alvenaria feita com blocos modulares, sim, não
só resolve esse problema de interação
como oferece algumas vantagens. Dispensa o revestimento,
argamassa de assentamento, além de não necessitar
de queima de madeira ou óleo combustível
para sua produção, o que barateia o processo
construtivo. Assim como a parede monolítica, os
blocos de solo-cimento são fabricados, normalmente,
com o próprio solo do local, o que reduz custos
com relação à matéria-prima
de construção e o seu transporte.
A
desvantagem do sistema modular, segundo Neidyr Cury Neto,
engenheiro especializado em fundações e
geotecnia, é a dependência com relação
às prensas manuais e hidráulicas, cujo preço
varia de R$ 5 a R$ 40 mil. "Além do custo
da prensa, deve-se avaliar os gastos com a sua manutenção",
explica Cury Neto. O engenheiro defende o emprego das
paredes monolíticas na construção
de moradias populares por meio de cooperativas de trabalho.
"Com as paredes monolíticas, há um
melhor aproveitamento da mão-de-obra não-especializada
do local, além da redução de custos",
explica.
Para
a construção de paredes monolíticas
usam-se guias, fôrmas e soquetes para a compactação
da mistura. As guias devem respeitar o alinhamento e o
prumo. Depois de presas com parafusos adequados, as fôrmas,
normalmente de madeira, são preenchidas por camadas
de solo-cimento, que devem ser compactadas até
formar uma mistura coesa e homogênea.
À
medida que se constrói a parede, as fôrmas
vão passando de uma altura a outra sem esperar
a secagem da etapa anterior. "Dentre os sistemas
ensaiados pelo Ceped, o que apresentou melhores resultados
consistia em fixar previamente, no solo, guias para o
deslizamento das fôrmas, que subiam de acordo com
o enchimento do muro", explica Cury Neto.

Em
comparação com outros tipos de blocos de
alvenaria, como tijolos e blocos cerâmicos, o solo-cimento
proporcionava uma economia entre 20 e 40% no auge de sua
utilização, no final dos anos 70

O
solo-cimento emprega solo encontrado na região
da edificação. Mas a escolha do material
mais adequado é difícil, pois não
pode conter substâncias que prejudiquem o desempenho
do sistema, como cloretos e sulfatos
Escolha do solo
Independentemente do sistema adotado devem ser tomados
cuidados que vão desde a seleção
do solo adequado até a correta execução
das fundações e da alvenaria. "O que
parece ser um processo simples, de fácil execução,
requer a aplicação de um protocolo técnico
que envolve fatores como a escolha do solo, a dosagem
dos teores dos ligantes hidráulicos e o correto
ajuste de parâmetros de estado e colocação
relativos ao solo e à mistura deste com o estabilizante",
diz o engenheiro Francisco Casanova. Segundo ele, o nível
de detalhamento de projeto deve ser o maior possível.
"Tudo aquilo que as normas exigem para a alvenaria
estrutural de blocos de concreto, armada ou não-armada,
vale para o solo estabilizado com o cimento", afirma.
O
engenheiro e professor da Poli-USP Alex Abiko, que durante
13 anos foi pesquisador da tecnologia no IPT, acredita
que a durabilidade dos sistemas construtivos com solo-cimento
depende de rigorosas análises de laboratório
que avaliem a retração do composto e a expansibilidade
do solo usadas na mistura. "O fato de algumas
argilas expandirem muito dentro do conjunto pode aumentar
o volume do material de forma a ocasionar trincas",
diz.
Em
princípio, o solo de qualquer jazida pode ser utilizado
para a confecção de paredes monolíticas,
blocos e tijolos de solo-cimento. Os mais indicados, no
entanto, são aqueles que possuem de 50% a 70% de
teor de areia no composto. "O solo com a granulometria
ideal para a mistura deve ser predominantemente arenoso,
com argila em menor percentagem para que haja coesão
entre os grãos", diz Aurinilce Nascimento,
da ABCP (Associação Brasileira de Cimento
Portland). A engenheira explica que na medida em que aumenta
o teor de argila do solo, aumenta a necessidade de consumo
do cimento para sua estabilização, que deve
representar de 5% a 10% em massa em relação
ao solo.
"A
correção de um solo muito argiloso pode
ser feita com a adição de areia pura ou
de solo arenoso", diz Cury Neto. Tal procedimento,
segundo ele, pode baratear o processo por reduzir a quantidade
de cimento necessária para conferir estabilidade
e resistência ao material. Neto explica que as camadas
superficiais do solo, com profundidades que variam normalmente
de 10 a 60 cm, em que há o predomínio de
matéria orgânica, não podem ser adicionadas
à mistura. "A acidez da matéria
orgânica no solo retarda as reações
de hidratação do cimento, comprometendo
a resistência à compressão do solo-cimento",
afirma.

Apesar
de ter custo reduzido, o que favoreceria a construção
de habitações de interesse social,
os blocos de solo-cimento ganham espaço no mercado
de médio e alto padrão
Método
de dosagem alternativo
Uma vez colhidas amostras qualitativas do solo, essas
deverão ser encaminhadas para um laboratório
de mecânica dos solos, que determinará a
proporção de argila, areia e silte existentes.
Depois da análise, é feita a dosagem para
solo-cimento, procedimento que determinará a quantidade
de água, cimento e solo para estabilizar a mistura.
"Por demorarem 40 dias para serem concluídos,
os procedimentos de análise e dosagem feitos por
laboratórios são um dos fatores que desestimulam
o uso em construções", diz Casanova.
Em
conjunto com seus alunos de mestrado e doutorado, Casanova
desenvolveu uma metodologia baseada em ensaios simples
e expeditos, que dispensam a atuação do
laboratório, podendo ser aplicada diretamente na
jazida ou canteiro de obras. "A metodologia,
além de baratear o processo, dura apenas cinco
dias", explica.
Uma
vez determinada a dosagem, o solo que será utilizado
na mistura deverá ser peneirado, destorroado e
estocado, de preferência em local coberto. Após
essa etapa, a matéria-prima é misturada
com o cimento e a água, atividade que pode ser
realizada manualmente, ou por um misturador mecânico,
de acordo com a capacidade de produção da
prensa.
Por
produzirem maior quantidade de peças do que as
manuais, as prensas hidráulicas requerem equipamentos
mecanizados para a produção da mistura e
alimentação dos silos. Fernando Teixeira
explica que com a produção diária
de até 3,5 mil blocos, a mistura do composto e
sua condução até a prensa é
feita manualmente. "Acima disso, torna-se necessário
o emprego de um misturador mecânico e de uma correia
transportadora para abastecer a prensa", explica.
Para a produção de paredes monolíticas,
os procedimentos, em geral, são feitos manualmente.
Após
a inserção da mistura fresca dentro dos
moldes de prensas hidráulicas ou manuais, ocorre
a prensagem dos blocos ou tijolos, que devem ser estocados,
de preferência em local coberto. Para cura, as peças
devem ser molhadas três vezes ao dia, durante um
período mínimo de sete dias, para que a
mistura prensada endureça e adquira a resistência
desejada. De acordo com as normas da ABNT, só depois
de 14 dias é que os tijolos ou blocos poderão
ser aplicados em construção. Em locais descobertos,
o composto deverá ser molhado mais do que três
vezes ao dia, de acordo com as condições
climáticas.
Manuais
ou hidráulicas, as prensas utilizadas para a fabricação
dos tijolos contam com moldes que podem configurar diferentes
modelos de blocos, classificados pelo tipo de encaixe:
encaixe tronco-cônico, encaixe quadrado bisotado/não
bisotado ? ou com vértices arredondados ? , e o
encaixe trilha.
As
paredes monolíticas requerem um processo de cura
igual ao de alvenaria dos blocos. Segundo Aurinilce, sua
espessura varia de 8 a 12 cm, de acordo com a altura da
parede. Como manutenção das paredes monolíticas
e de blocos de solo-cimento, a engenheira recomenda a
impermeabilização por meio da aplicação
de um verniz específico para o material.
Fundações
rasas como o baldrame e, principalmente, a do tipo radier,
são apropriadas para as construções
de solo-cimento. Por se adaptar a qualquer tipo de solo,
garantir uma melhor uniformização do terreno
e evitar problemas como recalques diferenciais, a fundação
do tipo radier é, apesar de mais cara, mais indicada
do que a sapata corrida. Além do radier, recomenda-se
a execução de uma base de argamassa impermeabilizada
que acompanhe o traçado das paredes e sirva como
área de apoio aos tijolos.
Normas
As normas técnicas da ABNT, que determinam características
como forma, dimensões, resistência à
compressão e à absorção de
água de blocos e tijolos de solo-cimento, desconsideram
a aplicação das peças em alvenarias
estruturais. Apesar disso, há um consenso entre
os profissionais da área sobre a possibilidade
de execução de paredes estruturais feitas
de blocos de solo-cimento. "Nesse caso, deve-se aumentar
a resistência dos blocos por meio de uma adição
maior de cimento à mistura", diz Fernando
Teixeira. O engenheiro explica que, além disso,
os buracos dos blocos devem ser armados e preenchidos
de concreto, de acordo com as orientações
de um calculista que, nesse caso, também poderá
determinar o diâmetro dos furos de grauteamento.
Uma
alvenaria feita com blocos de solo-cimento, de acordo
com a resistência à compressão determinada
pela ABNT para as peças (2 MPa), suporta o peso
de elementos como lajes moldadas ou pré-moldadas
e coberturas convencionais, como a de telha cerâmica,
por exemplo. O mesmo se aplica às paredes monolíticas.
"Com relação aos blocos, devem ser
tomados pequenos cuidados de segurança, como fazer
amarrações, armar e preencher os furos dos
blocos das extremidades com concreto", explica
Teixeira.
Segundo
o engenheiro, uma alvenaria de solo-cimento, desde que
associada a uma estrutura de concreto, pode atingir um
número "indefinido" de pavimentos. "Sem
isso, o máximo que ela consegue atingir são
três pavimentos", explica.
As
construções requerem, sobre portas e janelas,
a execução de vergas de bloco do tipo canaleta,
que deverão ser preenchidas com concreto. "Para
isso, os furos das duas fiadas, imediatamente abaixo e
acima, deverão ser obturados e grauteados",
explica Casanova. A presença da viga conformada
pelo bloco do tipo canaleta também é necessária,
segundo Fernando Teixeira, entre a parede e a cobertura
da construção. "Essa pequena viga
armada permitirá uma melhor distribuição
da carga do telhado sobre as paredes", afirma.
Apesar
de dispensarem argamassa de assentamento, sistemas que
fazem uso de blocos modulares e encaixáveis requerem
vedação de juntas por meio de aplicação
de cola à base de PVC. "Blocos de solo-cimento
são mais ecológicos do que tijolos cerâmicos
ou de barro cozido por dispensarem a queima de madeira
ou óleo combustível", explica
Casanova.
Segundo
o engenheiro, para a fabricação de mil tijolos
cerâmicos de 20 cm x 20 cm x 10 cm, é necessária
a queima de cinco árvores de porte médio
ou 120 kg de óleo combustível. "É
uma mera questão de tempo para que o sistema construtivo
se imponha naturalmente", finaliza.
Questão de tempo



Francisco José Casanova,
professor da Coordenadoria de Programas e Pós-Graduação
da UFRJ
O solo-cimento pode ser uma alternativa
para o problema do déficit habitacional?
Pode,
mas está acontecendo o contrário. São
as classes altas que estão construindo com solo-estabilizado.
Há uma série de razões para isso:
a falta de planejamento, a política, o preconceito
das pessoas simples, que associam o solo à pobreza,
o desconhecimento técnico e os erros do passado.
Além disso, as cimenteiras, sem exceção,
são contra.
Qual
a maior dificuldade para o uso do solo-cimento?
Ao
contrário do concreto, cujos materiais que o compõe
(areia e brita) são facilmente obtidos com a pureza
e os atributos físicos e químicos requeridos,
o solo é altamente variável. A presença
de substâncias deletérias para o processo
de cimentação, como o húmus, cloretos
e sulfatos inviabilizam a aplicação do solo.
Em qualquer jazida, essas variações ocorrem
tanto no sentido horizontal como vertical. A solução
desses problemas é dispendiosa por requerer pessoal
qualificado e constantes análises de material.
Por isso, grandes empresas da construção
desistiram de industrializar o solo-cimento e o solo-cal.
Quais
empresas?
Não
vou citar nomes, mas a dificuldade na obtenção
de jazidas de solo "homogêneas", aliada
ao rigoroso e caro controle da qualidade do solo, levou
produtoras de elementos construtivos e grandes empreiteiras
de São Paulo a desistirem da idéia. Não
conseguiram fabricar tijolos ou blocos com propriedades
que apresentassem o coeficiente de variação
exigido pelas normas técnicas. Além disso,
o solo estabilizado, quando fora das especificações
técnicas, apresenta as patologias do concreto e
mais algumas outras num tempo muito mais curto.
Mesmo
com os problemas, o senhor acredita no futuro dessa tecnologia?
Acredito,
porque todos desejam construir mais rápido e barato.
Há também uma "pressão ecológica"
gerada pelo agravamento do efeito estufa e do desmatamento.
Isso aliado ao custo dos resíduos minerais e industriais
faz com que seja apenas uma questão de tempo para
o uso desses sistemas modulares. Cedo ou tarde, órgãos
como a CEF, o sistema bancário de um modo geral,
a ABCP e os grandes empreiteiros se renderão a
essa tecnologia.
Veja
passo a passo a construção de uma casa a
40km de Friburgo (RJ)

Foto
1 - Após a colocação
do gabarito metálico e antes da concretagem do
radier é feita a locação da ferragem
vertical (vergalhões de 8 mm), que deve ficar engastada
na fundação. Antes da concretagem, verifica-se
também a locação das tubulações
de água e esgoto
Foto
2 - A concretagem do radier deve ser seguida
da marcação da "dama", base de
argamassa impermeabilizada que acompanha o traçado
das paredes. Para sua marcação, deve ser
considerado que 1 m corresponde a 1,005 m na marcação
de eixo a eixo
Foto
3 - Sobre a "dama" já endurecida
é assentada a 1a fiada de tijolos. Para isso, é
utilizada a argamassa feita com a própria mistura
de solo-cimento aditivada de cal ou outro produto químico
que ajude a reter água e minore a retração.
As duas primeiras fiadas devem ser rigorosamente niveladas
e alinhadas
Foto
4 - Os tijolos são encaixados uns
sobre os outros em juntas desencontradas. A cada 0,50
m o prumo e o nível devem ser conferidos. Os furos
designados no projeto devem ser grauteados. O encontro
de paredes deve ser solidarizado com grampos e grapas.
As instalações ficam embutidas nos furos
dos tijolos e acompanham a execução da alvenaria
Foto
5 - Após a colocação
dos caixonetes das portas e das janelas, são feitas
vergas e contravergas com tijolo de solo-cimento do tipo
canaleta. Para isso, os furos de duas fiadas imediatamente
abaixo são obturados com um copinho de plástico
e grauteados. Dois vergalhões horizontais são
dispostos em paralelo no interior da canaleta que é
então grauteada.
Foto
6 - Após o término da alvenaria
é executada a cobertura. A casa já está
pronta.
Patologias

Trincas
originadas pela expansão e contração
dos tijolos de solo-cimento que foram fabricados ou
curados em desacordo com os procedimentos adequados.

Patologia
comum em construções de solo-cimento originada
pela má utilização da tecnologia.

Lote
fora das especificações. Peças com
trincas originadas por expansão/contração
e ruptura por esmagamento

As
trincas verticais podem ter sido originadas pelas seguintes
causas: tijolos com diferentes espessuras, incompatibilidade
com o graute ou recalque diferencial da fundação
Hotel-residência
Projetado
pelo arquiteto Silvio Luiz Tamura Jono, a construção,
de 500 m², localizada em Campinas (SP), foi executada
com alvenaria de blocos de encaixe intertravado de solo-cimento.
"Optei por sistemas construtivos que conferissem
rapidez à obra", explica Jono, que associou
a tecnologia do solo-cimento à cobertura de telhas
cerâmicas com estrutura metálica e lajes
treliçadas e protendidas de concreto. Na construção,
com dois andares, os blocos de solo-cimento foram empregados
de duas maneiras: como alvenaria grauteada autoportante
e como vedação, associados a uma estrututura
de concreto.
"O
principal desafio da obra foi o projeto executivo da alvenaria,
ou seja, determinar os grautes de modo que estes não
afetassem a passagem da tubulação de esgoto
e das instalações elétricas e hidráulicas",
explica Tamura, que especificou a aplicação
de verniz à base de silicone na parte externa da
alvenaria aparente como impermeabilização.
No
interior da construção, as paredes foram
rebocadas com gesso e revestidas com azulejos nas áreas
molháveis. Para o preenchimento dos furos dos blocos,
foi utilizado concreto misturado manualmente. "O
preenchimento dos furos foi feito a cada 0,5 m, para evitar
a formação de bolhas de ar nas colunas",
explica o arquiteto.
O
projeto fez uso de blocos de solo-cimento do tipo canaleta
para a configuração das vergas e contravergas,
preenchidas com concreto e armadas com barras de ferro
3/16? CA 50. Os grautes, por sua vez, foram armados com
barras de ferro 3/8? CA 50. Para corrigir as pequenas
irregularidades em altura durante o assentamento dos blocos
foi aplicada, entre as fiadas, uma mistura de cola branca
com a terra da própria jazida do tijolo. Sob as
paredes, foi executada uma sapata corrida com 50 cm de
largura x 30 cm de altura.

O uso de alvenaria de blocos de encaixe intertravado
foi associado ao
sistema de lajes treliçadas e protendidas de concreto

Para
a construção, os blocos de solo-cimento
foram empregados de duas maneiras:
como alvenaria grauteada autoportante e como vedação,
associados a uma estrututura de concreto
Como
produzir tijolos de solo-cimento
PERMAQ
A
prensa manual Permaq MTS-010 pode produzir até
2 mil blocos ou tijolos por dia, duas peças
por ciclo. Pode produzir tanto tijolos maciços
quanto modulares, basta a troca do ferramental da
máquina.
MO 55431
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|
MAN
Com
funcionamento mecânico e alimentação
automática de fôrmas, a prensa P6,
da Man, produz de 800 a 1.200 peças/h, com
precisão de 0,3 mm. Funciona sozinha, sem
auxílio de operador e produz tijolos com
dimensões variadas.
MO 55437
|
|
GUTWARD
A
Gutward produz prensas manuais e hidráulicas
para tijolos de solo-cimento, com silo alimentador
e carrinho espalhador. A empresa também produz
peneira vibratória e destorroadores elétricos
para preparação da terra.
MO 55432
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ECO-MÁQUINAS
Produzida
para a construção de residências
populares pelo MNLM (Movimento Nacional de Luta
pela Moradia), essa prensa hidráulica sobre
duas rodas pode ser puxada por qualquer veículo
de pequeno porte. Tem capacidade de compactação
de até 24 t por prensagem e pode produzir
3.500 tijolos/dia (dois por operação).
MO 40555
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ANDRADE
GUTIERREZ
Criado
pelo engenheiro João de Assis, professor
da PUC-MG, e desenvolvido pelo engenheiro Francisco
Chagas, o Tijolito é o principal componente
do Sistema Andrade Gutierrez de Construção
Industrializada. Prensado automaticamente por máquina
hidráulica, o Tijolito tem 110 mm x 100 mm
x 220 mm e é encaixável.
Os
modelos usados para instalações elétricas
e hidráulicas, arremate de vãos e
para a configuração de vergas e vigas
são obtidos por corte da peça-padrão.
MO 55433
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SAHARA
As
prensas manuais da Sahara produzem tijolos maciços
para assentamento com argamassa e blocos modulares
e vazados de encaixe de solo-cimento, nas dimensões
10 cm x 20 cm, 12,5 cm x 25 e 15 cm x 30 cm. Conforme
o equipamento, a produção varia de
100 a 300 peças/h. Para a fabricação
são necessários apenas três
operadores: um para o abastecimento, outro para
a operação da prensa e um terceiro
para preparar a mistura.
MO 40556
|
|
Texto
original de Valentina Fiquerola
Téchne 85 - abril de 2004